NARGUILE
 
Fumar narguilé equivale a consumir fumaça de cem cigarros.
 

Nesta quarta feira(31/out) na Escola Municipal Padre Arnaldo Janssen tivemos a palestra sobre o uso do Narguile e suas consequências. A reunião contou com a presença de professores, diretores, funcionários da Prefeitura Municipal e também a Secretária de Educação, Cultura e Esportes Jacira Bordignon e a Diretora da Escola Marlene Gozzi. A palestra foi conduzida pela Diretora Municipal de Gestão de Programas da Secretaria de Assistência Social Licioneide Scharnberg, com participação de representantes do Conselho Tutelar de Ouro Verde do Oeste. Veja um pouco do que foi discutido e mostrado durante a palestra.

Licioneide Scharnberg

Diretora Municipal Gestão de Programas

 Narguilé: também conhecido como arguile ou shisha, é uma espécie de cachimbo de água, por meio do qual o tabaco (geralmente aromatizado) é fumado com o acréscimo de melaço (muessel, um derivado do açúcar). O fumo especial para narguilés podem ter aromas variados, como de frutas, mel e flores, entre outros. Não se sabe ao certo qual a origem do narquilé, embora muitos historiadores defendam que o artefato foi inventado no Oriente, onde faz parte da cultura de vários países, sendo utilizada, sobretudo por persas, turcos e hindus. O narguilé é composto pela base (onde é colocada a água, que pode ser substituída por sucos, essências naturais ou por arak – bebida alcoólica de origem árabe), pelo corpo (parte que conduz a fumaça por um tubo, para dentro da água), pelo fornilho (local onde é colocado o tabaco e, em cima, o carvão em brasa) e pela mangueira (pela qual a fumaça é aspirada). A base do narguilé geralmente é de vidro, mas pode ser também de cerâmica ou metal, e é parecida com um decantador. Alguns narguilés possuem várias mangueiras, tornando possível que várias pessoas fumem ao mesmo tempo, o que é tradição em alguns países. Embora seja difundida a idéia de que o tabaco fumado com o narguilé seria menos prejudicial do que o cigarro, por exemplo, estudos comprovam exatamente o contrário. A suposição de que a água (ou qualquer outro líquido) absorveria a nicotina e limparia a fuligem da queima do tabaco, filtrando-o, foram desmentidas. Segundo pesquisa realizada pela Universidade de Brasília (UnB), “uma sessão de arguile equivale a nada menos do que fumar 100 cigarros. A quantidade de fumaça e substâncias tóxicas inaladas nos dois casos é a mesma” (Novaczyk, 2007). Segundo Viegas (apud Novaczyk, 2007) apenas 5% das impurezas do tabaco são filtradas pela água ou pelo líquido, ou seja, a nicotina encontrada em altas concentrações, tem grande potencial de causar dependência. De acordo com Wareing (apud Khatkar, 2009) “uma sessão fumando o narguilé – isto é, 10 miligramas (de tabaco) por 30 minutos – resulta em níveis de monóxido de carbono 4 ou 5 vezes mais altos do que fumar um cigarro”.  O resultado é que a fumaça do narguilé pode causar doenças cardíacas, enfisemas e câncer de pulmão, mesmo entre os usuários que não tragam a substância. Outras consequências decorrem do uso compartilhado do narguilé, como a transmissão de hepatite, herpes e tuberculose. A utilização do narguilé no Brasil tem se disseminado, sobretudo entre os jovens, que geralmente desconhecem suas consequências.

 

Quase 300 mil brasileiros usam narguilé, diz Instituto Nacional do Câncer.
Número equivale à população da cidade do Guarujá, no litoral de SP.

(Foto: Arquivo/AFP)

Participar de uma sessão de fumo de narguilé por uma hora equivale a consumir cerca de cem cigarros, segundo o Instituto Nacional do Câncer (Inca). A informação faz parte de uma série de dados divulgados pelo instituto sobre o produto nesta quarta-feira (29), Dia Nacional de Combate ao Fumo. Além de incluir 4,7 mil substâncias tóxicas presentes no cigarro comum, o fumo do narguilé, um tipo de cachimbo oriental, possui concentrações superiores de nicotina, monóxido de carbono, metais pesados e substâncias cancerígenas, de acordo com o instituto. Quase 300 mil pessoas em todo o país consomem o narguilé, segundo a Pesquisa Especial sobre o Tabagismo (PETab), realizada pelo Inca junto com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O número, contabilizado em 2008, equivale a uma cidade do tamanho do Guarujá, no litoral de São Paulo, também segundo dados do IBGE. O pneumologista Ricardo Meirelles, da divisão de controle do tabagismo do Inca, ressalta que o uso de água no recipiente do narguilé proporciona uma sensação agradável aos usuáros, mas que mascara a quantidade de toxinas inaladas. A presença da água "faz com que se aspire ainda mais a fumaça, dando a impressão que o organismo fica mais tolerante, o que é errado", pondera Meirelles em nota enviada pelo Inca. Em uma hora, uma pessoa chega a dar mil tragadas em um narguilé. O processo gera uma fumaça inalada igual a uma centena de cigarros comuns ou mais, segundo o pneumologista.

Estudantes - Entre os estudantes de cursos de saúde, uma pesquisa aponta que mais de 55% dos que declararam ser fumantes de produtos de tabaco além do cigarro comum admitiram usar o narguilé. O número sobe para 80% se for considerada só a cidade de São Paulo, segundo o estudo. Realizado em três capitais (São Paulo, Brasília e Florianópolis), o levantamento mostra que a situação do fumo entre universitários na área de saúde é preocupante, segundo o diretor-geral do Inca, Luiz Antonio Santini.